quinta-feira, 5 de agosto de 2010

pintura de memórias

Vi dias em que o sol parecia jamais ir embora.Fervia a cidade junto com meus pensamentos.Quando fugindo de seus raios fechei os olhos , o vi.observá-lo pesava em alguma culpa que não sabia de quem vinha.Eu que já me roía demais por minha própria culpa inerte abri os olhos e embora a luz que me cegava fosse mais confortante que encarar a culpa, anseei pelo fim do dia.Talvez por isso tenha sido cada segundo que morria tão pesaroso.Me dizes que não há medo de perder os segundos, uma vez que estão cada vez mais próximos os sonhos.Como pode faltar tanto a mim a luz de cada instante e não a ti?
  E uma espécie de engraçado, uma espécie de triste, que os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que já tive.È disto então que me aproximo?
   Quando enfim veio a noite , o meu esperado conforto esqueceu-se de acompanhá-la.Não havia lua no intenso breu, era então indiferente se estavam abertos ou fechados meus olhos .Ele estava lá, sentado e sozinho.Eu nem me lembrava o quão solitário é ser uma criança.E ele estava ali agora tão perto das intimidades de meu sentimentos, tão intocável.Poderias suprir dele todas as carências?Nem você , nem eu , nem toda culpa que existisse!Ele ficaria ali, mantendo-me insone, lembrando todas as dores de histórias que não poderiam ser contadas.
  Logo ele ...apenas uma criança.

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