segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ah ...eu sei

Minha estrutura nervosa buscou a mim por um segundo e não sendo suficiente para tornar-me introspectiva, buscou a ti em seguida...Não parte ou outra, mas parte por parte até achá-lo por inteiro,bem alto...Lá onde não te vejo nem me vês.Não somos, apenas sentimos...Após o devaneio matinal, voltei a meu quarto e não muito surpresa reparei em como este dia parece ordinário...Apenas eu sabia a diferença.
Ao meu lado o lençol ainda guarda o calor de seu corpo recém partido.Sobre a espalda pesa-me a extensão antes ocupada por seus braços...Você saiu silencioso, mantendo meu sono...e eu finjo permanecer nele para não ser obrigada à efusão do bom dia.Eu penso em quantas vezes fizemos isso, e como a rotina nos acomoda num futuro semelhante.
Te vejo confiante, e talvez isso, até mais que seus defeitos me incomode.Essa vontade crescente tua de manter-se ao meu lado aumenta a minha de trair-te em sua expectativa.
Muito expresso,pouco pão, muita conversa, pouca vontade e um olhar quase ameno...quase pleno.Como todos os dias, fui contigo até a porta, mas hoje te digo até logo...guardo em mim a satisfação de ser a única a saber que não nos veremos mais.

domingo, 29 de agosto de 2010

Pontos de vista/2

"Do ponto de vista do sul, o verão do norte é o inverno.
Do ponto de vista de uma minhoca, um prato de espaguete é uma grande orgia.
Onde os hisdus veem uma vaca sagrada , outros veem um grande hambúrguer.
Do ponto de vista de Hipócrates, Galeno, Maimônides e Paracelso, havia uma grande enfermidade no mundo chamada indigestão, mas não havia uma enfermidade chamada fome.
Do ponto de vista de seus vizinhos no povoado de Cardona, o toto Zaugg que andava com a mesma roupa no verão e no inverno era um homem admirável:
-O Toto nunca tem frio-diziam.
Ele não dizia nada.Frio ele tinha, o que não tinha era agasalho."

perfect lie

Paint it
erase my expression lines,
make perfect all my colors,
let's pretend that the past just doesn't exist...
you may give me a beautiful smile
no worries, no sense
I cannot grow
I cannot feel my age
I cannot feel...
you got it ...
your fat lie!

Chamadas não atendidas

Chamou uma , duas , três, quatro, cinco e mais até...Já na primeira chamada quiseram minhas mãos atender, mas me mantive racional...
Sabe...acho que deveria ter atendido sua chamada...Sempre acho coisas quando não posso mais fazê-las.É neste exato momento que me torturo pelas coisas que se mantiveram suspensas.Aquelas que poderiam ter sido,não foram e eu , pretensiosa, insisto em pensar nas minhas influências sobre elas...
SE tivese falado, SE tivesse demonstrado,SE tivesse pedido e também me perdido um pouco mais...SE tivesse te achado e visto apenas você e não através...
Talvez...SE tivesse sido um pouco menos as coisas que calei que as que falei, e por uma vez não tivesse questionado...Ou ainda que não fizesse nada disso...na negação de todas essas possibilidades,SE eu ao menos houvesse atendido sua chamada...

Pontos de vista/1

"Do ponto de vista da coruja, do morcego, do boêmio e do ladrão, o crepúsculo é a hora do café da manhã.
A chuva é uma maldição para o turista e uma boa notícia pra o camponês.
Do ponto de vista do nativo, pitoresco é o turista.
Do ponto de vista dos índios das ilhas do Mar do Caribe,Cristovão Colombo, com seu chapéu de penas e sua capa de veludo encarnado, era um papagaio de dimensões nunca vistas."
Eduardo Galeano

identidade real

De pobre a alma se apega
na infantil tentativa de se deixar conhecer
renega tudo que já o definiu
não sente mais o que é.
é apenas a ilusão a qual sucumbiu...

Tola criança que se esquece
que negar suas vontades tão inocente
embora pelas comuns
chamadas indecentes
é tal vil quanto maldizer aquele
que por acaso natural é deficiente.

O que parece...


Eu o vejo. È o primeiro... Primeiro pingo a cair, anunciando a torrente que o seguiria. O primeiro pássaro voa somente a espera que todos os outros o sigam. Criaturas  evoluída os pássaros não?!Como diria um velho amigo, há de se ter muita habilidade para que seu cansado falar torne-se canto, e o andar, vôo. Até o mar, no abuso de sua grandeza parece mais calado ao ver passar a revoada.
È só que às vezes me questiono sobre todas essas coisas que parecem ser... Sobre tudo aquilo que acho ver. E se de repente eu estivesse surda a ouvidos plenos?Meus órgãos completos pudessem reter as notas dos sons e pó disfunção que não sei qual, meu cérebro me mostrasse-os desconhecido. E se uma nota, vez posta, jamais pudesse encontrar outra que  a seguisse harmonicamente?Eu só questiono se ainda eu saberia a diferença entre a chuva e o pranto, ou reconheceria no grito cantado dos pássaros o que estaria por vir....
O mar tornar-se-ia vez por vez mais recluso, quase catatônico, evaporando... eu não estaria nem surpresa.Nem mesmo quando as nuvens tornassem-se apenar os restos de explosões aéreas.Eu assistiria apática, à destruição do mundo, ainda à ouvidos surdos.
E se cada um já carregasse em si parte de minha doença?E se o primeiro pingo for o prelúdio de minha própria torrente a vir avisar-me?Ainda sim eu não ouviria....

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

pintura de memórias

Vi dias em que o sol parecia jamais ir embora.Fervia a cidade junto com meus pensamentos.Quando fugindo de seus raios fechei os olhos , o vi.observá-lo pesava em alguma culpa que não sabia de quem vinha.Eu que já me roía demais por minha própria culpa inerte abri os olhos e embora a luz que me cegava fosse mais confortante que encarar a culpa, anseei pelo fim do dia.Talvez por isso tenha sido cada segundo que morria tão pesaroso.Me dizes que não há medo de perder os segundos, uma vez que estão cada vez mais próximos os sonhos.Como pode faltar tanto a mim a luz de cada instante e não a ti?
  E uma espécie de engraçado, uma espécie de triste, que os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que já tive.È disto então que me aproximo?
   Quando enfim veio a noite , o meu esperado conforto esqueceu-se de acompanhá-la.Não havia lua no intenso breu, era então indiferente se estavam abertos ou fechados meus olhos .Ele estava lá, sentado e sozinho.Eu nem me lembrava o quão solitário é ser uma criança.E ele estava ali agora tão perto das intimidades de meu sentimentos, tão intocável.Poderias suprir dele todas as carências?Nem você , nem eu , nem toda culpa que existisse!Ele ficaria ali, mantendo-me insone, lembrando todas as dores de histórias que não poderiam ser contadas.
  Logo ele ...apenas uma criança.

retratos

Aqui,ao alcance de minhas mãos, seu rosto mergulhava num sono tão cheio de abstrações, e imutavel, como imagino que seja o último de todos.Imagens passadas daquele rosto sobrepujavam a que eu agora via, e saídas de um nevoeiro embriagado suas antigas expressões me voltavam.
 Cada uma delas me lembrava sensações como respirar, engolir um floco de neve, ou se deparar com um raio de sol ocasional...
 Ah nadine, tinha tantas risadas e agora veja o que fizemos a você...Parece que as folhas cairam cedo demais e dividiu toda a nossa sorte pelo mundo.Eu tentei tanto proteger, te dizendo que era o que você precisava, quando na verdade queria apenas que tivesses que lembrar de mim .Esqueça tudo que vi através de seus olhos.Esqueça todo o egoísmo tão maior até que eu mesma ao qual se submeteu.Esqueça todas as caminhadas em ruas em preto em branco.Também todas as vezes que tive que ser tão humana.
 Quando você for o que sempre sonhou , eu estarei entre um flash e outro de suas antigas fotografias.Aí então, lembre-me.