quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Coisas da madrugada

Três horas, madrugada.Mais uma manhã me traria a consciência da vida.Acho que era vida ... talvez um corpo sem alma.Em meio a tanta confusão, tanta era a velocidade de meus pensamentos, que ainda a luz me parecia lenta e tediosa.Não esperava compreender a infinidade dos acontecimentos a minha volta em suas incansáveis probabilidades.Mas ao fundo, esperava me conformar em não mais tentar entendê-la.
Mesmo no absurdo da idéia, séculos pareceram passar com fúria sob minhas nuances, mas apenas algumas mechas de meus cabelos protestaram.Ali parada, após tanto tempo.Eu era o palhaço rindo em frente ao espelho.Havia um outro mundo criado ... apenas para mim.Apenas p'ras verdades que criei.Tanto tempo havia ido, e eu pensei que atuava ...e bem .Uma pena haver acreditado.A verdade era minha, também a razão, e ambas me mentiram.A mim e só.
Queria falar das coisas abstratas, inofensivas aminha discussão solitária.Não , não...eu não queria ter nada a dizer, e responder com um sorriso cordial.Mas sim , Deus, sim ,quanto eu queria dizer, e com tanta força.Dizer que me perdi quando as regras do jogo que criei se aplicaram a mim.Dizer que nada faz sentido e abrir os meus , os teus e os nossos olhos.Também que me frustra todos os dias a incapacidade de entender o que me dizes, mas que tenho a necessidade infantil e desesperada de que me entendas.Talvez até mais do que eu poderia.Dizer todas as desculpas bem enjambradas que seriam por sua vez uma ótima desculpa pra meu mal comportamento.
Queria falar , falar , falar...mas calo na boca todo o universo de coisas que meu egoísmo queria te provar.No silêncio , assediada por pensamentos em puro frenesi, sou acometida por um transe.A cada vez mais nele se perde minha voz.Até que não seja mais reconhecida pelos sons que me rodeiam.Sons demais.

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