domingo, 26 de setembro de 2010

Boa noite!

Pra mim?Não, não...guarda contigo esse boa.Resta comigo apenas noite que por si só já é deveras grande.As horas que seguem este instante estão aflitas, sedentas por acometer-me.Há em minha cabeça centenas de idéias que se aglomeram mais a cada segundo.
Passam por mim transtornadas as coisas que não fiz... Coisas que desejei e me foram tomadas. Passam por mim coisas que fiz e me arrependo. Também, as que fiz e não me lembro.Passam por mim , alucinadas, verdades que criei ou omiti...e mentiras que agora são também verdades.Transcorrem meus sentidos as coisas que odeio com sinceridade pueril . Por fim ,passam por mim coisas que são nada, e a até elas me atormentam, mantendo-se aqui a confundir-me.
Sinto levemente uma lágrima percolar a face enquanto fecho os olhos aguardando impaciente pela hora que me trará uma boa noite. Mas não... é tarde.É tarde até para se ter sono. Ainda mais quando já se foi envenenado pelas coisas que faltam.Coisas que por vontade própria, a psique traz à tona.Como outras noites insones das quais entretanto me recordo com saudade tão terna que me embota os olhos d’água.
Ah, essas coisas... os opiatos de uma vida.Essas passam por mim como uma carícia ligeira.são a chance de mover-me a um outro momento qualquer... ou até de ser uma pessoa qualquer.Elas passam inteiras e ferozes, só para ter certeza de que apesar das horas desta noite correrem afoitas, eu permanecerei aqui, imóvel e atenta.Eu, de fato ,permaneço.
Ai cansaço...quando é que te tornarás sono?Sono, sono, sono...límpido e claro sono.Nem sei se sou capaz de tê-lo.Nem sei se sou capaz de ter algo.Se dor , se fúria ,se saudade ou amor...Nessa ausência de um sentimento que me defina me certifico de uma coisa.Umas coisa apenas.O sol pode até brilhar para todos, mas a imensidão desta noite é só minha.E eu a quero com lua.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

about a story....

Quando ela sente
No fundo pressente
O risco por vir

ele deveras entende
Que mente
Para ela e para si
Sobre o medo iminente

Na base torta
De um sonho tonto
Mostra no olho de outro conto
Que seu ego ainda se importa

Há porém o que destoa
Neste jeito que te porta...
Mas porta-te, meu bem,
Que não será a toa

Porque no fim
Pode até se dizer em parte
Que houve em ti desejo ou fetiche
Mas ambos sabemos,foi apenas praxe

Aquela pequena vaidade em ponta
Conta amor...se essa não é
A chama que você apaga e não conta;
Esconde sob desculpa da fé...

Então sê inteiro
Mas sê-lo com vontade, sê você,
E assim falho,assim sorrateiro,
Guarda bem quem ainda te crê

Pois destas ditas frases que prezo
Haverão de dizer quando eu cair farta
Que te falo com recalque, que desprezo,
Mas eu hoje, sou apenas exata...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

“Se é tão seguro seu agora
Qual é a velocidade de seu imediato
E de fato,quanto de ideologia
Fez-se ato”


Wie weit muss ich gehen
um uns nicht mehr zu sehen
Welcher Zug nimmt mich mit
und bricht mich nicht zurück
welcher Arm hält mich fest
wenns deiner nicht ist
welcher Mund hält sein Wort
und wie schnell ist sofort?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Coisas da madrugada

Três horas, madrugada.Mais uma manhã me traria a consciência da vida.Acho que era vida ... talvez um corpo sem alma.Em meio a tanta confusão, tanta era a velocidade de meus pensamentos, que ainda a luz me parecia lenta e tediosa.Não esperava compreender a infinidade dos acontecimentos a minha volta em suas incansáveis probabilidades.Mas ao fundo, esperava me conformar em não mais tentar entendê-la.
Mesmo no absurdo da idéia, séculos pareceram passar com fúria sob minhas nuances, mas apenas algumas mechas de meus cabelos protestaram.Ali parada, após tanto tempo.Eu era o palhaço rindo em frente ao espelho.Havia um outro mundo criado ... apenas para mim.Apenas p'ras verdades que criei.Tanto tempo havia ido, e eu pensei que atuava ...e bem .Uma pena haver acreditado.A verdade era minha, também a razão, e ambas me mentiram.A mim e só.
Queria falar das coisas abstratas, inofensivas aminha discussão solitária.Não , não...eu não queria ter nada a dizer, e responder com um sorriso cordial.Mas sim , Deus, sim ,quanto eu queria dizer, e com tanta força.Dizer que me perdi quando as regras do jogo que criei se aplicaram a mim.Dizer que nada faz sentido e abrir os meus , os teus e os nossos olhos.Também que me frustra todos os dias a incapacidade de entender o que me dizes, mas que tenho a necessidade infantil e desesperada de que me entendas.Talvez até mais do que eu poderia.Dizer todas as desculpas bem enjambradas que seriam por sua vez uma ótima desculpa pra meu mal comportamento.
Queria falar , falar , falar...mas calo na boca todo o universo de coisas que meu egoísmo queria te provar.No silêncio , assediada por pensamentos em puro frenesi, sou acometida por um transe.A cada vez mais nele se perde minha voz.Até que não seja mais reconhecida pelos sons que me rodeiam.Sons demais.